Governo do Distrito Federal
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21/09/21 às 15h36 - Atualizado em 21/09/21 às 15h41

Webinário apresenta ações pelo clima no DF

 

Ascom Sema

 

Brasília (14/09/2021) – Com o início da Década da Restauração dos Ecossistemas, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Seminário de Clima reuniu temas relacionados às iniciativas da Sema, apoiadas pelo Projeto CITinova, que envolvem a recuperação do Cerrado e uma gestão pública mais resiliente às mudanças do clima.

 

Informações ambientais

 

O painel sobre o uso do Sistema Distrital de Informações Ambientais (SISDIA) abriu o evento nesta terça-feira (14). Prevista em dispositivos legais como uma ferramenta para promover a sustentabilidade no DF, a plataforma, pública e gratuita, reúne informações ambientais de 18 bases de dados produzidas por diversos órgãos governamentais distritais.

 

Um dos objetivos do sistema é promover eficiência e celeridade ao licenciamento ambiental, bem como efetividade no monitoramento, controle e fiscalização do território. Maria Silvia Rossi, subsecretária de Gestão Ambiental e Territorial da Sema, destacou a importância do sistema para o enfretamento da grilagem e da apropriação ilegal de terras, principais desafios na gestão do território. “A gente precisa se antecipar à grilagem, porque é a maior perda para o governo e a sociedade no ponto de vista do capital e da gestão do território.”

 

Durante a palestra, o coordenador de informações ambientais da Sugat/Sema, Rogério Barbosa, apresentou o portal do SISDIA, lançado em abril deste ano. No site (sisdia.df.gov.br) o cidadão, especialista ou gestor público pode acessar os mapas, dados e informações sobre o meio ambiente do DF.

 

Além de auxiliar no planejamento de políticas públicas com segurança técnica e jurídica, o sistema apoia a participação social. Nesse contexto, a subsecretária também citou as oficinas de capacitação para o uso do SISDIA, gratuitas e abertas ao público, que podem ser agendadas pelo site.

 

Recomposição vegetal no Cerrado

 

Na terceira e última palestra do seminário, foram apresentadas as iniciativas de recomposição vegetal e os Sistemas Agroflorestais (SAFs) Mecanizados. Com foco nas Bacias do Descoberto e do Paranoá, importantes para o abastecimento público no DF, as atividades têm o objetivo de promover a produção de água em qualidade e quantidade, a restauração do Cerrado com práticas agrícolas sustentáveis e, consequentemente, a mitigação dos impactos causados pelas mudanças do clima.

 

Elisa Meirelles, assessoria especial da Subsecretaria de Gestão das Águas e Resíduos Sólidos da Sema, abriu o painel com a apresentação da atividade de recomposição vegetal e pontuou que o Plano de Mitigação para redução da emissão dos gases de efeito estufa (GEE) no DF também tem ações voltadas para a recuperação de Áreas de Proteção Permanente (APPs) e de reserva legal, com metas para 2025 e 2030.

 

A iniciativa previa a implantação de 80 hectares no DF – 70 hectares em propriedades rurais e dez hectares nos Parques de Águas Claras e do Riacho Fundo (cinco hectares em cada). No entanto, foram recuperados 82,78 hectares com o plantio de 61 mil mudas nas áreas selecionadas.

 

A seleção das áreas foi realizada com base em uma análise multicritério com foco em áreas de prioridade alta e muito alta. Além disso, o diagnóstico das áreas subsidiou a tomada de decisão sobre os tipos de técnicas e espécies utilizadas para a recomposição vegetal.

 

Parte importante para alcançar os objetivos esperados pela Sema e o Projeto CITinova, a implantação das áreas contou com a mobilização de produtores rurais e de voluntários, que auxiliaram a equipe no plantio e puderam acompanhar o processo.

 

Além disso, cada um dos produtores assinaram um termo de compromisso no qual definem de que forma eles vão trabalhar com a proteção dessas áreas no futuro. “A gente quis assegurar a continuidade da manutenção das áreas após o encerramento do projeto”, explicou Meirelles.

 

Com o plantio finalizado no primeiro semestre de 2021, agora, estão sendo realizados o monitoramento e manutenção das áreas. Essas informações serão sistematizadas e poderão apoiar outras iniciativas no DF e em outras cidades do país.

 

Boas práticas agrícolas

 

Em seguida, Mona Bittar, assessora especial da coordenação de recursos hídricos, apresentou os Sistemas Agroflorestais (SAFs) Mecanizados, que integra as iniciativas de Boas Práticas do Projeto CITinova, executadas pela Sema no DF.

 

A agrofloresta é um tipo de cultivo que combina o plantio de espécies florestais e nativas com culturas agrícolas. Para apoiar a implantação desse sistema em larga escala, foram adquiridas e testadas três máquinas inovadoras, são elas:

 

a subsoladora com enxada rotativa, que prepara os canteiros para o plantio;

  • a ceifadeira-enleiladeira, que ceifa e enleira o capim para manter o solo coberto; e
  • o podador de altura, que facilita a elevação do operador da motosserra ou da tesoura hidráulica para fazer a poda das árvores em altura.

 

Ao todo, foram implantados 20 hectares nas Bacias do Descoberto e do Paranoá, contemplando 37 famílias. O objetivo do projeto-piloto é promover uma prática agrícola sustentável que contribua com a segurança hídrica da região e a geração de renda para os pequenos agricultores.

 

As máquinas também auxiliam o trabalho das mulheres no campo – que são maioria entre os selecionados pelo projeto. Segundo Bittar, as agricultoras são muito engajadas e dedicadas à agrofloresta, “tanto é que já existe uma associação de mulheres no Assentamento Canaã, em Brazlândia, e parte delas já comercializam e entregam cestas em todo o DF”.

 

Para implantar os SAFs Mecanizados, foi realizada a mobilização e sensibilização da comunidade das duas bacias hidrográficas, além de um diagnóstico socioambiental e o planejamento da implantação. “Os técnicos da iniciativa conversaram com os produtores, ouviram o que cada um esperava e que tipo de espécie queriam plantar na área, por exemplo”, explicou Bittar.

 

Após a seleção das propriedades rurais, agricultores, técnicos, extensionistas e mobilizadores da região participaram de oficinas práticas de capacitação. A implantação começou no segundo semestre de 2019 e foi finalizada em novembro de 2020. Atualmente, estão sendo realizados o manejo e monitoramento das áreas, bem como a avaliação desse piloto.

 

Assim como na iniciativa de recomposição vegetal, os agricultores beneficiados com os SAFs Mecanizados também assinaram um termo de compromisso, no qual a contrapartida, de maneira geral, é o cuidado e a responsabilidade de continuar com o sistema de cultivo em suas propriedades.

 

De acordo com Mona Bittar, a repercussão do projeto é positiva na região. Muitos produtores que não tinham interesse, hoje, querem participar do projeto porque viram que a agrofloresta gera renda e recupera a vegetação. “A gente acredita mesmo que água se planta e, para nós, o foco principal é a produção de água e conservação dessas áreas, que são importantes não só para os produtores, mas para toda a população do DF”, completou.

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